sexta-feira, 16 de março de 2012



carnaval não acabou, escarnio.
eu quero tchuuuuuuu, eu quero tchaaaaa
eu quero tchuktchatchatchuktchuchaaaaaa
descarna, encarna.
encharca, escalda.
alinhava.ponto por ponto. fechou.

desaninhada,desalheada.
então desalinha, abre.
e sangra, sangra, sangra,
carne por carne.
gota por gota.
olho por olho.

metal? não. titanio? humhum.
tilitando, trincando, zoando, entrando, metendo, apertando
um, dois, tres, sete parafusos, vem um na lateral que imprensa.
a menina é sensível, dá mais um valium pra ela dormir.

"tu qué dá a porretada? tem que ser de uma vez só, se não ele alevanta. vá!
pende o bicho que é prumodi ele sangrar.
tira os cachorros e as galinhas, chispa.
oh tania, pega as duas bacia grande, uma pros instistino, bofe e os miolo, e ota pras carne.

carne. me dá o figado que é pra hoje de noite zé, é reveião.
e tem que deixar pras crianças.
será que creuza vem? ou vai pensá que é pra comer jibóia de novo?
e isso é bode véio ou é carneiro? nada, é marranzinha nova, carne boa.
lá as onça comeu tudo, num ficou uma criação pra gente matá.
ói, eu to acabando com a minha, cansei de faze tocaia de onça e todo ano é a merma coisa."

é bom ter um animal assim pra gente matar.
mas quando é agente sozinho, como é?
quem mata quem? come o que? sangra onde?
gota por gota, me vejo espelhando no vermelho.
agora sou eu: animal e carne.
em carne viva, morto por mim,
lambendo o sangue e revivecendo
encurvada, entranhada
ainda tô quente.
(é o sangue que passa).
e agente pensando que o bicho tá morto... fica aí.

a carne é imortal e imoral.
encare, encarne.

Nenhum comentário:

Postar um comentário