Anti-portais

era outono, embora verão, e ela achou melhor fechar as janelas, os armários, as gavetas. havia um tempo em que se escreviam cartas. e ela começou a bordar. um dia ele disse que ela deixava todas as portas abertas.
e seu coração queimou e depois gelou.
após o que foi só vento.

***

escrevíamos cartas! meu deus. havia um tempo, no reino antigo da princesa Adolescias em que o amor era explicado, tim, tim por tim tim, em cartas bordadas, corações desenhados, letras pintadas, estivesse seu amante, Juventus, longe ou perto.

e agora crescemos, não é mailove?
brincamos mais, esquivamos mais, nublamos mais.


a cada dia esse eu-carne fica mais compacto, consistente, maciço, roliço, atraente.


mais desejável, e menos desejante.


é preciso defender. é preciso portas entreabertas, muitas portas entreabertas.


primavera tosca ou a era dos scraps, torpedos, msg safadinhas ou reticentes, um toq no celular, um like no seu face, um status assim, um perfil assado. Ok, beibe, que tal um talk?


mas hoje era outono e cada um entendeu, profundamente, que o vento faz um escarcéu danado, empoeira tudo e refrescar que é bom, nem nem.

encosta a porta por gentileza? 
aqui dentro ta um quentinho bom.


18 de março de 2012

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